As 7h44min toca seu celular, ela ainda com sono vê o número desconhecido e atende. A voz desesperada do outro lado diz: “Ney, esqueci o capacete”, ela revira os olhos, ativa o modo silêncioso e volta a dormir.
Mais tarde já desperta lembra-se da ligação. Meu Deus como pode ela ter esquecido o capacete? Sente o desespero em si e o procura, em qual caixa ela deixou o capacete?
Abrindo suas gavetas ela se encontra com outras de si, ela olha uma com saudade e os olhos rasos d’água, pensa por instantes que seria melhor tirá-la dali, deixar que ela habite novamente seu corpo. Com os braços já estendidos prontos para tirá-la, opta por trancá-la... o tempo dela já passou, talvez ela sofra mais saindo agora. Continuando a busca pelo capacete, ela esbarra num corpo caído evita olhá-la nos olhos, sabe que se fizer isso não terá forças para sair dali, sai correndo sem olhar pra trás, o corpo continua caído, imóvel, pois sabe que hora ou outra vai ser mais forte e derrubar a menina. Passa por outra que nem lembrava que existiu um dia, ri com todas as lembranças, sente vontade de ficar ali com ela e aprender mais de si. Lembra-se do capacete. Despede-se e vai embora sorrindo, se ela ainda fosse assim..., pensa consigo mesma. Passa por outras e não sabe ao certo o que sentir, hora raiva, hora alegria, hora tristeza, hora medo... se perde entre tantas gavetas, cansada, desiste de encontrar o capacete, e fica ali olhando e lembrando como era ser ela, vagando distraída... a busca pelo capacete cansou a menina. Tudo está uma bagunça, ela respira e mesmo cansada opta por começar a organizar a bagunça sem tirar nada do lugar. Opta por tirar um pó daqui, uma teia de aranha dali, abrir uma cortina, outra janela, uma porta e vê satisfeita que um pouco de ar e luz já melhoram sua desorganização interna. Satisfeita vai embora... todas as outras dizem “Acredite em você” com um pouco de receio ela aceita o conselho. Hoje ela opta por acreditar em si. O capacete continua perdido... mas, a organização está apenas começando.
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