domingo, 19 de fevereiro de 2012

a conjuntivite confusa

Por mais que ela fale sobre o que sente, se deu conta de que não sabe expressar-se, por isso há dias carrega no peito um nó.
Nó de marinheiro desses difíceis de desfazer. Ela até tenta, escreve, corre, dança e nada, nada acontece. Pensa, re-pensa. Não encontra ouvidos ou não encontra palavras?! O que falta...
Ela não fala. Perdeu a habilidade de exprimir-se. Ela fala. Tenta pelo menos. Talvez queira apenas negar tudo isso, empurrar o que quer que seja para baixo do tapete. Não consegue.
Também não quer agir, não quer entender, ou finge não querer. é tão difícil? Porque ela cansou de tentar entender, aceitar. Não que ela esteja cansada, ela só não entende e tem dificuldade em aceitar o que não entende. Disseram que nem tudo tem explicação... pelo visto ela vai carregar o nó por um bom tempo.
Isso faz com que ela fique parada no tempo. Perdida, ou não. Parar pode ser bom. Na verdade está cansada de ficar parada, mas, não consegue agir. Chegou mais uma vez ao ponto insustentável da questão... solução?! Talvez não exista. Assim parada ela pode sentir o vento no fim de tarde, pode ver as cores do pôr-do-sol, pode ver os carros apressados, pode andar sem rumo, pode respirar fundo. Ela só não faz nenhuma escolha. E sente medo por isso... Ela opta por nada. Ela espera. Pede paciência e sabedoria.
Acredita que o nó vai transformar-se em um lindo laço. Demora.


“eu sinto como se estivesse nadando solta dentro mim, essa semana comecei a perder um dos sentidos, me propus a organizar essa bagunça. não depende só de mim... em algumas manhãs eu acordo como se meu peito estivesse sendo esmagado por borboletas. Um vazio me preenche de dentro pra fora. Eu tenho medo. Eu vou me ocupando de lacunas. Não quero mais brincar nesse tabuleiro, mais desistir não é uma opção”

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